Como alguns sabem, e
agora todos passam a saber, aqui no CTMDT desenvolvemos projetos ministeriais
em várias áreas: asilo, presídio, vila, adolescentes, creche, abrigo... Eu tenho a felicidade e privilégio de fazer
do projeto de visitas ao hospital, lá desenvolvemos um trabalho de capelania
hospitalar.
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| eu, Letícia e Anny |
Nesse exercício entendemos que a capelania é mais que
prestar uma simples assistência é a oportunidade de ser corpo de Cristo levando
vida, consolo, esperança em meio a dor; transmitindo a paz que só Cristo pode
dar. A cada visita nos doamos e recebemos mais... Rimos, choramos, sentimos a
dor, o pesar, nos animamos com as altas e recuperações, sentimos os que se vão...
Marcamos as vidas e somos marcadas por elas.
Algumas histórias são preciosas: lembro-me de duas pacientes eu nunca havia comemorado seu aniversário
e justamente nessa data estavam internadas, uma não sabíamos que era seu
aniversário e depois que cantamos ela nos disse que foi a primeira vez que
alguém lhe fazia algo assim. Já a segunda recebeu presente! A equipe de projeto
descobriu alguns dias antes que seria o aniversário dela.
Lembro também de um senhor (muito querido e que recebeu
alta essa semana) que estava com água no pulmão, microempresário que falou que
naquele momento só queria estar com a família, não importava onde ou como, só
queria poder voltar pra casa e ficar com os netos e trazer Jesus pra sua
vida... Esperava apenas que não fosse tarde demais... tarde demais pra colocar
Jesus no centro da vida.
Ah, temos a linda da Dona Lurdes, paciente em estado
terminal, que semana passada aceitou Jesus, mesmo sem conseguir falar, as
meninas falavam com ela e ela respondia com os olhos e apertando as mãos... foi
um dos momentos mais lindos!!
Tem também o senhor José Geraldo que acompanhamos por
meses e faleceu semana passada, e queremos crer, está com Deus!!
E tem uma das experiências mais marcantes para mim: visitamos
um senhor que expressava uma dor tão profunda no olhar (ia muito além da dor
física) que chegava a ser constrangedor, me doeu tanto... várias noites antes de dormir via (as vezes ainda
vejo) aquele olhar e não consigo não orar... se isso me marcou tão
profundamente imagino como não deve ser intensa a intercessão do Espírito por
nós em meio as nossas dores e gemidos e mais, como deve ser intensa sua
intercessão para que nos "convençamos" que mais que criaturas fomos criados
para ser filhos...
Teria ainda tantas outras histórias: dona Maria, Raimunda,
Antônio, Odete... Mas, cada delas relata a lição mais profunda que tiro do hospital:
em todos os momentos o Espírito Santo está a interceder por nós, no sofrimento
há Deus, ele é Deus que caminha conosco nos escombros de nossa vida, que
suporta conosco a nossa dor, que nos traz consolo, conforto e esperança que vai
além das limitações ou das possibilidades de cura. A cada visita volto mais
crente, com mais fé, mais humana e com a certeza de que é porque Ele vive, e só
porque ele vive, que temos esperança e vivemos!!
