terça-feira, 3 de junho de 2014

Dias Nublados

Gostaria de poder dizer que todos os dias no campo missionário são alegres, felizes e radiantes... que sempre, sem nenhuma sombra de dúvida ouvimos Deus claramente e vemos todos os projetos dando super certo, mas não seria verdade, não seria honesto e não seria humano...

Há dias em que é simplesmente angustiante estar no campo... E nesses dias é tão difícil... Difícil porque a gente se sente mal, difícil porque é difícil... E nesses dias é tão triste porque a gente não quer estar assim no campo... Porque não há "esperança", porque há um desgaste tão grande dentro de nós... Porque a angustia não nos larga... E tudo que queríamos era dizer é que amamos o povo e o lugar e tudo mais, mas... Não seria a verdade. 


A verdade que iriamos pra não sei onde por um tempo, frustrados por não "dar conta" do ideal da missão... Frustrados porque não somos tão bons quanto achávamos que éramos, porque somos mais limitados do que imaginávamos, porque o local adorado de envio é um desafio nas suas menores coisas e detalhes... Porque as vezes diante dos missionário desbravadores que viveram muito tempo naquele local somos apenas "crianças" descobrindo a missão e é constrangedor demais falar das nossas fragilidades, das pequenas coisas que nos incomodam e desafiam...


Nesses dias a gente só quer alguém que possa acolher nossa inutilidade e abrace nossa amizade; alguém que entenda os nossos limites e compreenda que nossas limitações, defeitos e aparente desanimo não quer dizer que não temos chamado... Mas apenas que o chamado não é fácil... Alguém que entenda que caem lágrimas dos olhos do semeador no caminho... Que os pés dos que semeiam boas novas tem rachaduras, calos e sagram e o que  os faz  formosos é o caminho que eles trilham...

Nesses dias de angustia, quando os amigos estão distante, os abraços são impossíveis... Não lugar melhor que o teu colo Jesus, não há aconchego maior que a sombra da cruz e o calor de altar... E é precisamente nestes dias que a gente entende que ama (pouco mas te ama) porque ainda que nos esperassem mais mil dias de angustia , cada um deles  cumpriríamos sabendo que não há como voltar, lembrando ao nosso coração que o objetivo da vida não é ser feliz, mas é ter contentamento em cumprir o que você estabeleceu pra cada um de nós...





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