sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Ser estrangeiro...

Estrangeiro: Que é natural de outro país. Que não faz parte de uma família, de um grupo. Ser estrangeiro em seu país, desconhecer suas leis, seus costumes, seus hábitos.

 O termo estrangeiro provém da palavra francesa étranger, cuja origem é étrange (estrange até o século XII), por sua vez do latim extranĕus (estranho, de fora).

Que bom o dicionário traduz alguns sentidos, porque sinceramente as palavras faltam... Acredito que o “se sentir estrangeiro” é um dos piores sentimentos que se pode sentir (não digo que todos os missionários sintam da mesma maneira e intensidade ou ainda que seja um sentimento que dure para sempre) mas dentro da nossa experiência nesse tempo de Uruguai posso dizer que ser estrangeiro, muitas vezes, não é nada confortável.

É uma sensação incomoda de não fazer parte, mesmo estando aqui... É uma peça de um quebra-cabeça que até pode caber, mas não é a completa o desenho. Algumas coisas você não tem o “direito de fazer” por mais se que seja benéfico, porque você simplesmente não é daqui... Algumas vezes a hostilidade pode ser gratuita e intencional (se faz e se fala para deixar bem claro que você não compreende, “não pode”, não faz parte por não ser do local). Outras vezes é natural, por mais carinho e acolhimento que as pessoas tenham, você realmente não entende ou não se encaixa.

Chega também aquele ponto em que não importa o quanto você tenha aprendido, evoluído, se adaptado... Você ainda é o Brasileiro, eles ainda vão rir e comentar quando você falar errado... Algumas posturas vão ser cobradas e outras relevadas...
É interessante, porém notar que o fato de ser estranho não impede de amar, de se afeiçoar e receber amor... Seremos sempre, em algum nível, estranhos, diferentes... Não poucas vezes nos sentiremos “desubicados”/ deslocados ... mas o amor de Cristo nos faz ver além da nacionalidade e amar acima dos nossos padrões e hábitos.
 
Sempre que penso em “estrangeiro” me lembro do maravilho texto de Hebreus:
 
“Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas, mas vendo-as de longe, e crendo nelas, e abraçando-as, CONFESSARAM QUE ERAM ESTRAGEIROS E PEREGRINOS NA TERRA. Porque os que isso dizem claramente mostram que buscam uma pátria. E se, na verdade, se lembrassem daquela de onde haviam saído, teria oportunidade de tornar. Mas, agora, desejam uma melhor, isto é, a celestial...” Hebreus 1.13-16
 
 
Quem dera pudéssemos sentir o mesmo em relação ao mundo aqui: amá-lo, lutar por ele, para que seja o mais parecido com o Reino possível... Mas entender que não somos daqui... não viver nossas vidas como se tudo que houvesse terminasse aqui, como se tudo o que plantamos se colhe apenas nessa vida... Que Deus nos ensine a viver com os de eternidade, pois aí essas questões, por vezes difíceis, se tornam mínimas e não almejamos outro local, senão aquele em que teremos apenas uma nacionalidade: o lar celestial.

 

 

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